segunda-feira, 26 de abril de 2010

COLETÂNEA 2010


APRESENTAÇÃO

Convido você, leitor, a viajar pelo nosso mundo, a compartilhar os nossos sentimentos e as nossas opiniões sinceras sobre a sociedade em que vivemos, sobre o mundo.

Aqui, colocamos o que realmente sentimos, o que realmente achamos; aqui você encontra textos sobre o mundo real e sobre nosso mundinho paralelo, um mundo de ficção que criamos.

Aqui colocamos para fora tudo aquilo que a sociedade nos obriga a “engolir”, coisas que achamos injustas, incompreensíveis, inaceitáveis.

Desejamos a você, leitor, uma leitura agradável e com muita reflexão.
Shaiane Heringer – 9º ano

Oi, leitor/leitora, vou aproveitar esse espacinho aqui, assim como quem não quer nada, como quem se intromete no espaço alheio, só para me apresentar e apresentar o projeto, a coletânea que está em suas mãos. Eles, nossos alunos-escritores é que fizeram tudo. Sou apenas um coadjuvante aqui. Tudo isso saiu deles e eu não fiz nem poderia ter feito qualquer modificação, pois esses textos já nasceram prontos e lindos. Tenho o maior orgulho de apresentar esse trabalho. Nossas meninas e nossos meninos capricharam, eles são os caras e as caras.

Como diz aí em cima a Shaiane, temos coisas do mundo real e desse mundinho paralelo que tomei a liberdade de visitar, de conhecer e estou encantado. Espero que você também fique.

Meninos e meninas, parabéns, vocês são as “coisinhas” mais fofas dessa escola. Obrigado por me presentearem com tanta criatividade. Como não sou egoísta, estou presenteando os privilegiados leitores, a quem também parabenizo.

Obrigado a todos e a todas, em especial à direção da ETP pela liberdade de atuação junto a essa molecada que, a cada ano, me surpreende com seus textos. Meus agradecimentos também às professoras Gabriela e Marcela, responsáveis pela PRODUÇÃO TEXTUAL do 6º e do 7º ano.

Já ocupei muito espaço. Vamos aos nossos escritores.
Prof. Isac Machado de Moura


Compromisso e Interesse

Concluir um trabalho é sempre emocionalmente gratificante. Logo surge aquela sensação de tarefa cumprida e o desejo de desenvolver o próximo projeto. É assim que vejo a realização desta obra.

Este trabalho orientado pelo professor Isac apresenta uma proposta importante para o desenvolvimento do gosto pela leitura, que é tão necessário na formação dos alunos, sendo parte do nosso projeto literário “Lendo eu descubro”. A literatura não pode está presente somente na escola, mas em qualquer lugar que nos permita viajar pelo tempo e conhecer lugares, personagens e histórias fantásticas. Ler somente por prazer é uma oportunidade maravilhosa.

Lendo os textos de nossos alunos-escritores começo a pensar em cada aluno e lembro-me das experiências particulares no cotidiano escolar através da expressão dos desejos, dos sentimentos, das emoções e, consequentemente, do amadurecimento dos nossos pupilos. Os textos mostram que todos caminharam com segurança, inclusive nós, educadores.

Agradeço e parabenizo a todos os alunos pela leitura saborosa e convidativa. Quero parabenizar também o professor pelo compromisso e pelo interesse em incentivar a leitura e a escrita dos nossos alunos.
Leniz Magalhães Souza - diretora


PROPOSTA: Escrever sobre a importância, sobre a sensação de escrever um texto, de vê-lo nascer.


SÓ PRA COMEÇAR...

Quando escrevo, não me vejo,
Apenas sinto meu coração pulsando,
Movendo a cada ideia
Que vem à mente.
Minha emoção vem de repente,
Sem querer,
Sem avisar,
Sem perceber.
Quando escrevo,
Me perco nas palavras,
Mas me acho
Em minhas próprias imaginações.
Quando escrevo,
Posso mostrar o que há dentro de mim,
Tudo aquilo que dizendo
Não se pode entender.
Por isso, caro leitor,
Leia com muita atenção cada verso
Escrito por todos nós,
Pois todos demonstramos nossas emoções.
Letícia S. Pinheiro – 9º ano


Quando escrevo,
As palavras vêm com uma facilidade
Que me deixa espantada.
Entro em um mundo só meu,
Vejo um universo único e colorido.
Às vezes, nem tão colorido assim.
Quando escrevo,
Me perco em meus próprios pensamentos
E deixo a imaginação me levar.
Quando escrevo, me expresso,
Me liberto, deixo um sonho nascer
E a realidade acontecer.
Beatriz – 9º ano

Quando escrevo,
Me sinto a vontade
Para desabafar,
Para falar comigo mesma.
Muitas vezes,
Nosso melhor amigo pode ser o papel,
A caneta.
Com eles, expressamos nossos sentimentos,
Podemos relatar acontecimentos importantes
Ou expressar uma grande dor.
Quando estou com caneta e papel,
Abro a imaginação,
Deixo rolar a criatividade
E me sinto uma pessoa mais feliz.
Karen Tavares – 8º ano

Quando escrevo, viajo na maionese estragada, penso em mais de 20 assuntos ao mesmo tempo. Depois, coloco tudo aquilo em que pensei num liquidificador, mas sabe, essas coisas não fazem sentido, nada com nada. É como se você pegasse uma laranja, uma barra de chocolate, um limão, uma banana e batesse tudo no liquidificador, com coca-cola. O resultado seria lindo, com novos sabores. É assim. Tudo em um papel. Quando penso que terminei meu texto, sempre vem uma coisa a mais, lembro de um ingrediente novo, uma jabuticaba, por exemplo, e acrescento na mistureba. E assim vou escrevendo o que vem à cabeça e no final sempre sai alguma coisa nova.
Pedro Paschoal – 8º ano

Quando escrevo, eu penso;
Quando penso, sonho.
Alguns sonhos são impossíveis,
Outros não;
Alguns se realizam, outros não.
Alguns sonhos são perdidos.
Todo mundo tem sonhos:
Sonhos pobres, sonhos ricos.
Quando penso, lembro de poesia,
Que não é minha mania,
Pois acho que não sei pensar poeticamente.
Marcos Matheus – 8º ano


ESCREVER É LIBERDADE

Limites, muros, barreiras,
Tudo isso é normal na vida,
Mas quando pegamos
Caneta e papel,
Os limites evaporam
E tudo fica infinito,
E é você,
Somente você,
Que pode determinar o ponto final
Ou apenas um começo
Para muitas outras histórias.
Liliane – 8º ano


CONVITE A UMA VIAGEM

No momento em que se escreve uma história, um poema, você “descarrega” suas emoções no papel. Aí transparece seu bom humor, seu mau humor, se você está feliz ou triste no momento, se você é otimista ou pessimista. Enfim, um texto pode dizer muito sobre você. Enquanto você elabora-o, você viaja em possibilidades de histórias, forma cenas em sua cabeça, pensa em lugares. Lendo esta coletânea, você verá muito de nós.
Pedro Telemos – 8º ano


PROPOSTA: Supondo-se possuidor/a de memória no momento do nascimento, produzir um texto narrativo a respeito.

 

Eu nasci assim...

Meu nascimento foi uma belezura, super fofo. Me lembro como se fosse ontem...Não aguentava mais ficar dentro daquela água toda. Eu já estava cansada de ficar lá dentro...sozinha, sem amigos, sem ninguém pra conversar. Finalmente a bolsa da minha mãe estourou. "Graças a Deus" – pensei. No entanto, que surpresa ! Vi várias luzes e ouvi várias vozes...

Fiquei super assustada, porque depois de toda aquela expectativas de sair da barriga da minha mãe, o que eu mais queria era voltar pra lá...Sei lá !

Lá fora era muito estranho...fiquei com medo, ainda mais quando eu vi aquele homem de branco vindo pra bater no meu bumbum. Comecei a chorar, até que fui entregue para uma mulher, que, com todo carinho, me abraçou, me deu um beijo e me disse:

-" Eu te amo !! "

Depois de todo aquele carinho cheguei a conclusão de que aquela mulher só podia ser uma pessoa :MINHA MÃE.
Mere Hellen (2009) – 9º ano


PROPOSTA: A partir da leitura do poema CANTADA, de Ferreira Gullar, produzir uma paródia.


Cantada I

Você é mais bonito
Que um passarinho voando,
Mais bonito que uma Mercedes,
Mais bonito que o meu peixe de estimação,
Que um filhote de panda,
Que um avião da Gol no ar.
Você é mais bonito que o Cristo Redentor
De noite,
Mais bonito que a Casa Branca.
Olha,
Você é tão bonito quanto
O Rio de Janeiro de noite,
E quase tão bonito
Quanto Cabo Frio.
Thaiana Pereira David - 9º ano


Cantada II

Você é mais bonito
que uma bola da Wilson nova,
mais bonito que um pôr do sol,
mais bonito que um dálmata,
que um filhote de vira - lata,
que um pássaro voando.
Você é mais bonito que um nascer do sol na praia,
mais bonito que a Casa Branca,
que a ponte Rio-Niterói.
Olha,
você é tão bonito quanto as Cataratas do Iguaçu,
e quase tão bonito quanto o Chris Brown...
Thayná Sena – 8º ano


Cantada III

Você é mais bonito que uma onda do mar,
Mais bonito que uma sandália da Mellissa,
que um pavê de chocolate,
Que um pássaro posando em uma árvore.
Você é mais bonito que chocolate,
Mais bonito que um pôr do sol,
Que dois cachorros cruzando.
Olha,
Você é tão bonito quanto
um sorvete derretendo na minha boca
E quase tão bonito quanto o Ne-yo ...
Rayane Catem – 9º ano


Grávida de Futuro

Espero muito conseguir o que quero:
Estudar, trabalhar e amar.
Estudando já estou...
Trabalhando não. Mas vou.
Amar... Quem será ? Quem será que vou amar ?
Poder ter minha casa, meu carro,
Dinheiro e tudo fechado.
Conseguir viver sem temer.
Sou grávida de futuro !
O espero ansiosamente.
Poder fazer minha própria história.
Contar para meus filhos e netos
De minha infância e prosa.
Poder dizer que a vida é muito gostosa !
Tirando os obstáculos e as dificuldades.
Hoje rio e choro.
Amanhã vou chorar e rir.
No futuro... Não sei...
Vou ter que esperar ele vir.
Rayane Catem (2009) - 9º ano


PROPOSTA: Escolher um dos temas sugeridos no quadro e produzir um texto em verso.


Quando Amo Não Sou Um

Quando amo não sou um,
Quando amo, sou um milhão.
Quando estou com você, o tempo para,
Parece que não existe mais ninguém.
Na rua, só existimos eu e você.
O tempo é curto,
Porque muito tempo é pouco
Se eu estiver do seu lado.
Um sonho? Uma ilusão?
Vai durar um mês?
Um ano?
Será eterno?
Isso não sei ...
Só sei que será perfeito
Enquanto você estiver do meu lado.
Se eu te perder,
Não sei se vou sofrer,
Mas só você poderá novamente
Me ensinar a viver,
Porque eu não sou nada
Sem você ... ♥
Mere Helen – 9º ano


Em Paz Comigo... Em Guerra Com Os Outros...

Possível? Talvez...
Em paz comigo?
Claramente sim.
Em guerra com os outros?
Quase sempre.
Às vezes, nem em paz comigo estou.
Há uma batalha do bem contra o mal.
Quem vai vencer?
Depende de quem for...
Uma pessoa qualquer
Pensar em coisas boas...
Em coisas más...
Independente de quem for,
Onde for
E quando for,
Há sempre uma guerra,
Há sempre a procura de paz!!!
Quando me perco
Não me encontro mais.
Jennifer – 9º ano


Confuso

Estou mais confuso que doido,
Não sei o que fazer agora...
Corro?
Grito?
Me mato?
Não sei.
Em alguns momentos
Pergunto quem sou eu,
Por que estou aqui,
Por que eu nasci....
São tantas perguntas,
Mas não tenho as respostas,
Espero encontrá-las um dia
Para que assim
Eu possa ser feliz.
Marcos Matheus – 8º ano


Amigo Verdadeiro é um Irmão

Amigo, palavra simples,
Com um significado tão grande,
Um alguém tão importante
Em quem podemos confiar
Sem medo de nos criticar.
Um ombro seguro para chorar,
Sempre desabafar,
Todos os segredos contar,
Às vezes, brigar,
Mas depois se reconciliar,
Sair
Brincar,
Zoar,
Chorar,
Brigar
E uma linda história criar.
É um sentimento diferente,
Um alguém que não é inconveniente,
Amigo não,
Irmão.
Ingrid – 7º ano

Meu Sonho

Meu sonho é continuar
Para ver no que vai dar,
Para tudo recomeçar,
Para esse amor continuar.
Queria voltar no tempo
Para reconstruir aquele momento,
Mas isso passa como o vento.
Não sei mais o que eu penso.
Eu sempre vou te amar
E te levar para a vida toda.
Raphael Lacerda – 7º ano


Tenho Um Sonho

Meu sonho é o mesmo de todos:
Um país feliz!
Meu sonho é um país sem corrupção,
Onde todos sejam felizes,
Onde haja justiça.
Meu sonho é de um mundo
Em que os sonhos de todos sejam realizados.
Meu sonho é um mundo
Melhor para todos,
Um mundo com igualdade de oportunidades,
Um mundo sem violência.
Meu sonho é de um mundo
Em que todos tenham direitos iguais,
Meu sonho é de um Brasil
Onde todos sejam tratados como cidadãos.
Maria Teresa – 7º ano


O Que Me Inspira

Andar de skate
É uma sensação única:
Você flutuando
Com o barulho das rodinhas rolando.
A sensação de dropar
Num half park é como a de voar,
Sentir-se um pássaro.
A emoção é grande como um elefante.
O ollie, uma das primeiras manobras,
Batendo e saltando,
A gente se emocionando,
Os objetos saltando com a emoção de voar,
Dá uma vontade de nunca mais parar,
É das emoções do skate
Que quero falar.
Lucas S. Pinheiro – 7º ano


Da Janela do Meu Quarto

Uma paisagem bonita,
Que inspira,
Paisagem tão grande
Como o ar que a gente respira.
Com grandes árvores
E a cabeça voando,
Minha vida anda,
Meu coração suspirando.
Da janela do meu quarto,
Ela é linda de se ver,
Que pena que muitos não entendem
Que é importante te ter.
Preciso dizer a essas pessoas
Para que acordem já,
Senão da janela do meu quarto
Não poderei mais te olhar.
Giovana – 7º ano


PROPOSTA: Eu e minhas crises interiores...

Pessoas
Que coisas estranhas esses seres
chamados pessoas,
Todos complexados ...
Em sua maioria nem sabem direito o que querem,
Mas por outro lado são determinados
(nem todos).
Que seres complicados esses,
Mas na maioria das vezes
Nos fazem rir, sonhar e até mesmo
chorar ...
Seres que têm dúvidas, esperanças,
vontade de crescer,
Medos ...
Mas que apesar dos pesares
Têm que ser respeitados !
Mere Hellen Carvalho - 9º ano


EU E EU

Eu, Emersom,
Às vezes,
Não sei onde estou,
Fico estranho,
Vivo em outro mundo,
Me considero um cara legal
Gosto de jogar futebol,
Andar a cavalo,
E viver de bem estar,
Apreciar os encantos da natureza.
Eu gosto de viver como eu vivo.
Eu sou eu, assim mesmo.
Emerson Roberto – 9º ano


EU

Eu sou apenas mais um ser,
porém com ideias,
conceitos, características....
diferente de todos !!!
Às vezes nem eu me entendo,
e fico me contradizendo.
Outras vezes, tenho medo de errar,
tenho medo de decepcionar pessoas!!
Nossa! devo ter um pouco de medo de viver !
Todo dia "mudo de personagem",
às vezes estou feliz,
outras vezes, triste,misteriosa...
Não sei por que,
Mas estou em constante mudança !
Luana Pessanha – 8º ano


Iguais e Diferentes

Somos cheios de dúvidas,
Emoções,
Medos,
Complicações,
Razões,
Todos temos isso.
É normal, super natural.
Tem momentos que queremos
Nos isolar, outros que
queremos nos mostrar mundo a fora.
Temos dúvidas, somos duvidosos,
Temos emoções, somos emotivos,
Temos medo, somos medrosos,
Temos complicações, somos complicados,
Somos humanos, somos iguais,
Somos diferentes.
Ser diferente é normal...
Uma coisa super natural. Rayane T. Catem – 9º ano
Confusões Mil
Penso em tudo ao mesmo tempo
Não sei o que fazer.
Tenho várias coisas,
umas importantes,
outras nem tanto
E sempre prevalece a que é menos importante,
Eu penso, mas poderia tudo se resolver sozinho.
Fico confusa, confusões mil.
Amor, estudos, família e religião.
Tudo vem a tona, de uma só vez.
Minha cabeça gira sem parar,
um dia eu acho que vai melhorar.
Rayane Catem – 9º ano


DÚVIDAS

As vezes não sei quem sou,
Só sei que sou uma garota
com sonhos,
com seus desejos e suas
realidades.
Como toda adolescente,
tenho dúvidas.
Dúvidas de saber como
é o mundo lá fora,
fora da realidade em que vivo!
Só quero viver,
sair do meu pequeno mundo
e ver,
ver como o mundo
é grande e belo,
mas tenho medo de me decepcionar,
não com o mundo,
mas sim com as pessoas que nele habitam.
Infelizmente, algumas pessoas
não sabem viver nesse mundo tão lindo.
Um dia vou ter que seguir a minha vida sozinha.
Só espero que
enquanto eu caminhar pela
estrada da vida
não tenha que esbarrar
com uma dessas pessoas
ou mesmo me tornar uma delas.
Liliane Amazonas Camilo - 8ºano


PROPOSTA: Quando a rotina vira poesia...


A Moça da Locadora

Sempre que eu vou a locadora fico naquela indecisão,
Sempre tenho que falar com a moça atendente,
Ela já está até acostumada,
e também já sabe o que eu quero.
Só depois de pensar um bom tempo, eu me decido.
Na hora de entregar, também é a maior confusão,
Porque eu tenho, muitas vezes, que ligar pra lá,
Que as vezes acontece
de entregar um pouco atrasado.
Mas ela é muito legal,
a gente sempre fica conversando.
E ela sempre dá um brinde pra mim.
A morena, alta, de cabelos longos e cacheados
 da locadora é muito legal.
Thaiana P. Davi – 9º ano


O Vizinho Bebum

Todo domingo é de paz na minha família.
À noite, quando eu vou dormir,
ele ainda está acordado,
no bar enchendo a cara.
Todo santo domingo é assim.
Segunda-feira de manhã,
quando eu acordo,
ele está lá dentro do meu quintal,
brigando com o meu cachorro
e chamando o meu cachorro para brigar.
É o meu vizinho bebum.
Esther – 8º ano


A Velhinha da Pipoca

Sempre quando passo por lá,
Ela me olha com doçura,
Com Um olhar delicado, meigo.
Eu quase nunca falo com ela,
Sempre passo com pressa,
sempre correndo
Contra o tempo,
Mas ela tem um jeito tão fofo!
Um dia vou comprar uma pipoquinha lá ...
Para ajudá-la e cumprimentá-la.
Mando um beijo pra velhinha
da carrocinha de pipoca.
Rayane Catem - 9º ano


ESSA MENINA

Essa menina
Que todo dia vejo
Não consigo tirar da cabeça.
Não falo com ela,
Ela não fala comigo,
Mas fica me olhando todo dia
E eu olhando pra ela.
Ela é muito atraente e linda,
Mas eu fico na minha.
Se ela falar comigo,
eu falo com ela.
Se não, fico na minha.
Tiago luz – 8º ano


PROPOSTA: A partir da leitura do texto GENTE, do livro PERSONAS, de Isac M. Moura, produzir um poema em primeira pessoa.


TALVEZ EU SEJA UMA ARTISTA
Gosto de escrever,
gosto de ler.
Danço, canto, interpreto.
Será ?
Um pouco de tudo, eu diria.
De tudo um pouco.
" quem sabe eu ainda sou uma garotinha... ",
Já dizia uma artista.
Todos nós somos,
uns melhores que os outros,
artistas naquilo que fazemos,
Pois ninguém é melhor que ninguém, de fato.
Apenas existem pessoas mais talentosas!
Somos humanos.
Somos artistas.
Somos talentosos.
Somos gente.
Rayane T. Catem - 9o ano


EU, UMA ARTISTA?

Será que sou uma artista ?
porque eu seria uma artista ?
se pensássemos melhor,
veríamos um mundo maior,
sentiríamos a leve brisa quando o sol se põe,
choraríamos todas as vezes
em que o "Titanic" aparecesse na TV,
olharíamos tudo com olhar de criança,
encantados,
sentiríamos de novo aquela esperança,
tudo estaria com outra cor;
a beleza se destacaria,
as flores teriam a mesma beleza todos os dias,
e seríamos felizes,
não por ver todas as belezas ,
mas sim por as sentirmos
e amá-las até a eternidade.
Letícia Santos Pinheiro - 9° ano


ARTISTA PENSADOR

Eu sou um artista,
Sou um sonhador
Ou até um pintor.
Gosto de pintar e bordar,
Gosto de azul, verde,
Preto e vermelho.
Sou pensador,
Sou artista.
Gosto de pensar, imaginar
E fazer desenhos coloridos,
Bonitos, estranhos e engraçados.
Gosto de misturar cores,
De desenvolver fórmulas estranhas
Com cores variáveis,
Como prata e ouro.
O mundo todo é uma arte
Perfeita, bela e bonita.
Leonardo – 9º ano


PROPOSTA: A partir da leitura de alguns poemas de protesto, do livro PERSONAS, de Isac M.Moura, produzir um poema com temática social.


O PAÍS DO FUTEBOL PRECISA DE JUSTIÇA

Muitos se esforçam,
Tanto professores
Como alunos,
Mas outros não querem saber.
Copa de 2014 está chegando,
Estão investindo em estádios,
Mas onde fica a educação?
O país para,
Quer ver o resultado
De um placar que não vai mudar nossas vidas,
Mas as notas sim vão mudar.
Deixam de investir em saúde,
Educação etc..
Se não houver educação
Não haverá profissionais.
Enfim, acho um absurdo
o pais respirar futebol.
Tem que respirar educação e justiça.
Jennyfer - 9º ano

 
TOLICES  & BLABLABLÁS

Todos temos coisas para protestar,
Coisas para reclamar:
Sociedade, lixo no mar.
Às vezes me falta ar para respirar.
Subo no meu telhado, penso, paro e reflito
sobre tudo o que está acontecendo nos dias de hoje.
Imagino no futuro.
Não quero estar viva para ver meus filhos e netos sofrerem,
Não quero estar viva para ver tanta tristeza,
fome, pobreza.
Não adianta, sempre penso em tolice
para tentar apagar as imagens ruins
que me vem a cabeça quando penso
no futuro da nação.
Ai meu coração !
E sempre tem aqueles caras que "param"
nossa televisão
Para falar mentiras e mais blablablá.
Espero que isso tudo mude
e realmente um dia seja melhor.
Isso tem que acabar.
O ser humano tem que voltar a amar.
Rayane Catem – 9º ano


PROPOSTA: Fazer um poema para a comida preferida.


MACARRÃO COM OVO

O macarrão com ovo
É uma comida saborosa.
Experimente logo,
Que é uma comida muito gostosa.
Quando fica pronto
O macarrão com ovo
Eu sinto logo o cheirinho
Um cheiro muito gostoso.
Pedro Lucas – 6º ano


PROPOSTA: Descrever uma sobremesa chamada Além-do-Arco-Íris.


ALÉM DO ARCO-ÍRIS

Ela é uma sobremesa sensacional,
Ela é além do normal.
com pedaços de chocolate e baunilha,
Ela fica uma maravilha!
Ela é uma delícia, cremosa, saborosa e muito gostosa!
Como ela todos os dias, coma você também!
Hemille do Couto Ribeiro – 6º ano


SOBREMESA ALÉM DO ARCO-ÍRIS

Ai, ai,
Além do Arco-Íris
É o melhor doce que já comi
Em toda a minha vida.
Além do arco-íris tem sabor de mel,
Tem sabor de mel,
Tem sabor de mel,
Além do arco-íris tem sabor de mel.
Mayara Kelly – 6º ano


PROPOSTA: Produção de um texto em verso relacionado com mudanças.


QUANDO ELE CHEGOU

Eu era filha única,
Não tinha ninguém para brincar.
Em 2005 nasceu meu príncipe,
Minha vida, meu amor,
A pessoa mais importante da minha vida.
Ele brilhou meu olhar.
Meu bebezinho é muito lindo,
Ele chegou à minha vida
E orientou meus caminhos.
Passo a passo foi crescendo,
E foi crescendo também meu amor por ele.
Nós brigamos,
Mas por mais que brigue com ele,
Mais amo esse pestinha.
Ele é o amor da minha vida.
Lara Benassuly – 6º ano


ELA CHEGOU E MUDOU MINHA VIDA

Minha irmã chegou em 2004.
Ela, às vezes, é legal,
Mas tem dias que está uma chata.
O nome dela é Fernanda,
Implica comigo o tempo todo.
Perdi tudo que eu tinha,
Como mais ou menos meu quarto,
Meu computador, bonecas.
Além disso, ela pega minhas maquiagens,
Mas é assim mesmo,
Tem dia que ela está até legal,
Mas tem dias que ninguém aguenta.
Eduarda Soares Bruno – 6º ano


QUANDO ELA CHEGOU

Ela chegou em 2007.
Minha irmã mudou tudo lá em casa.
Quando eu ia dormir,
Não conseguia,
Pois ela não parava de chorar.
Agora tem 3 anos
E é a melhor coisa
Que eu poderia ter ganhado
Em toda a minha vida.
Igor – 6º ano


QUANDO SOMENTE O AMOR DOS PAIS JÁ NÃO BASTA

Quando eu era bem pequeno,
Minha mãe dizia
Que chegaria a hora certa de amar
E de ser amado por uma menina.
Hoje tenho 11 anos,
E nessa idade, os meninos
Já olham para as meninas
Com olhos mais brilhantes,
Mais fascinados.
Eu, sinceramente,
Já olho para algumas meninas
Com esse olhar de encantamento,
E quanto mais o tempo passa,
Mais penso naquele futuro
Que a minha mãe falava
E no amor de uma pessoa.
Matheus dos Santos Moura – 6º ano


PROPOSTA: Amor e homenagem.


AMOR INFINITO

O meu amor
é um amor diferente
dos outros amores;
é o amor mais bonito
que eu já vivi até hoje,
é pelo meu cachorro DODÔ.
Ele é o cachorro mais lindo
e mais fofo que já vi.
O que eu mais faço com ele
É brincar, e depois ele põe suas patinhas
em cima da minha perna pedindo carinho.
Eu amo meu cachorro!
Yasmim – 8º ano


MEU CACHORRINHO

Quando eu tinha apenas 2 anos,
olhei para aquela criatura
e apertei, apertei
até que ele chorou,
então percebi
que ele foi feito
exatamente para mim.
Eu pedi para minha
mãe levá-lo para casa.
Eu olhei para ele e disse:
- Você tem cara de Puff.
Como sempre, meus irmãos
quiseram me contrariar,
mas foi a minha
palavra que prevaleceu.
Foram 12 anos
de pura alegria,
até que um dia
ele amanheceu caidinho.
Levamos ao médico
e o doutor disse que
que ele iria partir.
Dito e feito,
ele partiu,
mas o meu amor por por ele
sempre permanecerá !
Liliane Amazonas Camilo - 8ºano

 
PROPOSTA: Viver é isso...


UM LUGAR ESPECIAL

Onde eu moro
Considero um lugar especial
Onde vivo há muito tempo.
Sou um admirador da natureza,
Isso digo com toda certeza !
Cavalos, bois...
Uma vida no campo.
A cada dia que passa,
Tenho orgulho de morar
Onde moro...
Pássaros que cantam,
Galos que cacarejam,
Um verdadeiro despertador animal !
Admirar o pôr do sol,
um espetáculo !
Pretendo viver essa vida que sempre gostei.
Emersom Roberto K. Gonçalves - 9o ano


PROPOSTA: Quando a rotina vira uma CRONIQUINHA.


CRONIQUINHA

Todos os dias andando para a escola , passo por algumas pessoas, que para mim não são tão importantes assim , mas apenas reparo em uma mulher , fico prestando atenção nela, sempre , todos os dias , catando coisas do lixo, como se estivesse a procura de esperança.
Letícia Pinheiro - 9°ano


PROPOSTA: Produzir um texto em verso ou prosa sobre o ato de ler.

QUANDO LEIO...

Quando leio, sinto algo que não consigo bem explicar. É melhor que assistir um filme ou ficar na Internet. Ler é fazer uma viagem sem sair do lugar. O conhecimento que adquirimos com a leitura é como se eu estivesse na história, como se pudesse virar personagem do livro, viver seus sentimentos, suas emoções, suas dores.
Vinícius – 9 ano


Quando leio, me sinto feliz,
Leve, sem preocupações,
Consigo entrar na história sem problemas.
Gosto de imaginar os personagens,
As situações,
Viver seus sentimentos.
Quando começo a ler,
Tenho dificuldade de parar,
É como um vício,
Quero mais e mais.
Quando termino um livro
Sinto como se tivesse acabado uma missão,
Mas quando vejo um outro livro,
Me sinto diante de uma nova missão.
Quando leio,
Me envolvo completamente na história,
Vivo as angústias e as alegrias
Das personagens.
Quando não leio,
Fico louca, pirada.
Preciso ler... sempre.
Suelen P. Barbosa - 9º ano


PROPOSTA: Produção de um dicionário sentimental.

DICIONÁRIO

AMIZADE - É um outro tipo de amor, um gesto para alguém com quem você vai poder contar para a vida inteira, sempre que precisar.

CARINHO - Ação feita com uma pessoa que você ama, que você cuida. Pode ser em vários gestos, assim se expressando com um abraço, beijo ou uma simples palavra.

ABRAÇO - Um ato de carinho que você usa com pessoas de quem gosta muito, ou como cumprimento, agradecimento, onde você embala a pessoa junto de si.

VIDA - Um fio que pode ser cortado a qualquer momento. Um ciclo onde passa o tempo e tudo vai mudando durante ele. Uma coisa indispensável.

MORTE - Quando não há mais saída, quando se chega ao fim do túnel, a luz se apaga indicando o fim da vida.
(Rayane Catem – 9º ano)

Amizade - companheirismo que floresce com amor e confiança.

Abraço - gesto profundo de carinho.

Tristeza - dor que sentimos no fundo do peito quando o nosso amor se vai.
(Letícia Santos Pinheiro – 9º ano)

Amizade - É ser fiel a quem mais te ama.

Morte - É deixar tudo o que você fez para traz.

Ódio - quando alguém te machuca por dentro e não tem como limpar.
(Esther Affonso – 8º ano)

Carinho - É um abraço bem apertado.

Alegria - É a felicidade de ganhar algo que você queria muito.
(Leonardo Carvalho – 9º ano)

Amizade - quando você divide todos os seus sentimentos com alguém que só te faz feliz.

Morte - quando você consegue terminar de cumprir sua missão.

Carinho - quando você se sente protegido por alguém que te ama.

Abraço - quando você recebe o abraço de alguém, é como se estivesse num berço. (Yasmin - 8o ano)

Vida - É o tempo que temos para dizer o que sentimos.

Tristeza - É quando vemos algum amigo chorando.

Sonho - É a vontade de realizar alguma coisa.

Abraço - É o que queremos quando nos machucamos. (Gabriela Alonso - 8o ano)


PREGUIÇA

Preciso escrever,
Tenho preguiça,
Preciso dizer,
Mas tenho preguiça,
Preciso falar,
Tenho preguiça,
As idéias se misturam
Em nossa cabeça
É preciso que conheça.
Apesar de tudo saiu um texto
Preguiçoso
Bastante ocioso.
Emerson Roberto Kruger – 9º ano


domingo, 4 de abril de 2010

OFICINA DE POESIA - Olimpíada de Língua Portuguesa 2010 - 4o e 5o anos

Adaptação  feita pelo professor ISAC MACHADO DE MOURA, do caderno  POETAS DA ESCOLA,  da OLIMPÍADA DE LÍNGUA PORTUGUESA 2010.
 
Embora não participemos (pela nossa condição de escola particular) da Olimpíada de Língua Portuguesa, podemos trabalhar sua proposta com nossos alunos. Certamente será muito construtivo. É interessante fazer uma culminância desse projeto através da premiação dos melhores textos, da  publicação de uma coletânea e de um  sarau.

POETAS, POEMAS E POESIA


Os poetas escrevem para emocionar, divertir, convencer, fazer pensar o mundo de um jeito novo. Para isso usam diferentes recursos, como rimas, repetições, metáforas e até mesmo formas diferentes de colocar as palavras no papel. Tudo para transmitir ideias, experiências e emoções ao leitor.
O poeta pode jogar com a sonoridade, rimando as palavras, repetindo sons parecidos nos versos, fazendo com que eles ecoem ao longo do texto.
O POEMA é caracterizado por dois aspectos fundamentais: a maneira original de os poetas verem as coisas, que encanta e emociona o leitor, e o uso das palavras de forma especial, de modo diferente do habitual.

Segundo Marisa Lajolo, especialista em literatura:

“... poeta brinca com as palavras... parece que o poeta diz o que a gente nunca tinha pensado em dizer...”
“... um poema é um jogo com a linguagem. Compõe-se de palavras: palavras soltas, palavras empilhadas, palavras em fila, palavras em ritmo diferente da fala do dia a dia. Além de diferentes pela sonoridade e pela disposição na página, os poemas representam uma maneira original de ver o mundo, de dizer coisas...”
“... poeta é, assim, quem descobre e faz poesia a respeito de tudo: de gente, de bicho, de planta, de coisas do dia a dia da vida da gente, de um brinquedo, de pessoas que parecem com pessoa que conhecemos, de episódios que nunca imaginamos que poderiam acontecer e até a própria poesia!...”

POEMA E POESIA

POESIA é a “arte de criar imagens, de sugerir emoções por meio de uma linguagem em que se combinam sons, ritmos e significados.” POEMA é a obra em verso ou não em que há poesia.” (Miniaurélio – sec. XXI).
Quando falamos em POEMA, estamos falando da OBRA, do próprio texto; e quando falamos em POESIA, estamos tratando da arte, da habilidade de tornar algo poético. Uma pintura, uma música, uma cena de filme também podem ser poéticos.

OFICINA 1 – MURAL DE POEMAS

• Planejar o mural de poemas;
• Resgatar a experiência dos alunos com poemas;
• Reconhecer os poemas em suas diversas formas.

ROTEIRO DE ATIVIDADES

1. Cada aluno deverá levar algum poema para a sala de aula; pode ser dos autores clássicos, da música popular, de pessoas da comunidade...

2. Organizar e executar um recital na sala;

3. Confecção de um mural com os poemas apresentados. É legal caprichar na apresentação: o papel onde os poemas serão impressos pode ser colorido; os alunos devem fazer margem nas folhas. Enfim, é preciso caprichar no visual do mural para torná-lo atrativo.
 

OFICINA 2 – O QUE FAZ UM POEMA

• Conhecer as características do poema: rimas, versos, estrofes.

PROVOCAÇÕES

1. Por que o poema é diferente de uma notícia de jornal, de uma receita de bolo ou de um conto?
2. Como os poemas se organizam no papel? Eles preenchem todo o espaço das linhas, da margem esquerda à direita?
3. Os versos pulam linhas?
4. De que tratam os poemas do mural?

TEM TUDO A VER
(Elias José)

A poesia
Tem tudo a ver
Com tua dor e alegrias,
Com as cores, as formas, os cheiros,
Os sabores e a música do mundo.

A poesia
Tem tudo a ver
Com o sorriso da criança,
O diálogo dos namorados,
As lágrimas diante da morte,
Os olhos pedindo pão.

A poesia
Tem tudo a ver
Com a plumagem, o voo,
E o canto dos pássaros,
A veloz acrobacia dos peixes,
As cores todas do arco-íris,
O ritmo dos rios e cachoeiras,
O brilho da lua, do sol e das estrelas,
a explosão em verde, em flores e frutos.

A poesia
- é só abrir os olhos e ver –
Tem tudo a ver / com tudo.

POESIA: uma lente para ver o mundo

Nesse poema, o autor mostra que a poesia é viva, dinâmica, e fala de pessoas, de animais, de objetos, de acontecimentos, de tudo. Muita gente acha que a função da poesia é cantar amores ou falar do que é belo. Mas seus alunos precisam entender que, na verdade, a poesia coloca em palavras a maneira como o poeta enxerga o mundo. E ela pode falar de qualquer coisa, não só das grandes e belas.

PROVOCAÇÕES

1. Sobre o que fala o poema de Elias José?
2. Por que o autor diz que “poesia tem tudo a ver com tudo”?
3. O que os poemas podem exprimir?
4. O poema tem que ter rimas?
5. Quantos versos e quantas estrofes têm o poema?

O QUE RIMA COMBINA

Palavras que rimam são palavras que se combinam, pois terminam com o mesmo som. A rima é um dos recursos que os poetas usam, mas nem todo poema precisa ser rimado.
Antigamente, havia normas para escrever versos. O poeta tinha regras definidas sobre as rimas e o número de sílabas de cada verso. Mas hoje já não é assim. O autor tem liberdade para seguir ou não essas regras.

VERSOS E ESTROFES

VERSO é cada uma das linhas do poema. ESTROFE é cada grupo de versos separados do grupo seguinte por um espaço. Um poema pode ter uma ou várias estrofes. E cada estrofe, um número variado de versos.


OFICINA 3 – PRIMEIRO ENSAIO

• Produção de um poema.

SÓ PARA LEMBRAR...

• Cada situação de produção textual varia, pois depende de quem escreve (o autor do texto), para quem escreve (os leitores do texto), com que finalidade escreve (divertir o leitor ou convencê-lo de alguma ideia) e, finalmente, onde será publicado (jornal, livro, revista, internet).

• Agora, os alunos serão POETAS, aqueles que escrevem para mostrar o mundo de um jeito novo, com o intuito de emocionar, fazer pensar ou divertir os leitores.

PRIMEIRA ESCRITA

A produção inicial aponta o que os alunos sabem sobre o gênero e dá pistas para que o professor possa melhor intervir no processo de aprendizagem. Esse primeiro texto também é importante para que os alunos avaliem a própria escrita. Com sua ajuda, professor, eles podem perceber o que é preciso melhorar e poderão envolver-se mais nas atividades das oficinas.


OFICINA 4 – MEMÓRIA DE VERSOS

• Resgatar e valorizar a cultura da comunidade.

CANTADOR (de sentimentos escondidos)
(Antonio Gil Neto)

Esta pequena história foi contada por meus bisavós, que contaram aos meus avós, que por sua vez, recontaram aos meus pais, que me contaram de novo... Agora a conto a você. Era um tempo em que Alvorada do Norte era uma cidade pequena e próspera. Vivia seus dias de trabalho e mansidão alternados, como se alternam os dias e as noites, o sol e a lua, a chuva e o vento.
O que aconteceu é que naquele belo dia a cidadezinha amanheceu de um jeito um tanto diferente. Uns minutinhos antes das dezenas de galos soltarem seus cocoricós costumeiros, as pessoas da minha cidade, ainda abraçadas a seus travesseiros ou mesmo de pé, no preparo da labuta do dia, ouviram algo diferente adrentando por portas e janelas ainda fechadas: “Acorda, Maria Bonita / Levanta, vai fazer o café / que o dia já vem raiando / e a polícia já está de pé...”
Mais ou menos no ritmo de um leve susto e do escuro se encontrar com o claro daquela manhã, os alvoradenses foram se dando conta do que acontecia: “Meu coração / não sei por quê / bate feliz / quando te vê / E os meus olhos ficam sorrindo / E pelas ruas / Vão te seguindo / Mas mesmo assim / foges de mim...”
Vou contar logo, porque não é fácil de explicar. Pelas ruas poucas da cidade passava naquele dia, como aparição, miragem, encomenda, um presente dos deuses. Era um jovem cantador. O que mais sei do que me foi dito é que ele apenas falava bem falado, cantava pelo ar palavras bem bonitas que deixavam todo mundo encantado, curioso, incomodado. Umas pessoas riam, outras se embeveciam e ainda outras experimentavam emoções pouco sentidas. Logo que alguém abria a janela, soltava: “Menina, minha menina / faz favor de entrar na roda / cante um verso bem bonito / diga adeus e vá-se embora...”
Vez por outra ele surpreendia seu cantar misturando-o com um achado pelo caminho. Rodopiando e declamando, cheirava solenemente uma flor e a entregava ao seu ouvinte – especialmente se fosse uma bela garota – como um adereço. Eu só sei que ele andou e voltou várias vezes pelas ruelas principais entoando com cerimônias de gesto e voz algumas preciosas palavras que tocaram de perto o sentimento das crianças, dos jovens e dos adultos. E depois, sem passe de mágica, nem mais, nem menos, sem dizer adeus a ninguém, ele foi embora: “Adeus, amor, eu vou partir / ouço ao longe um clarim...”
Desapareceu pelo ziguezague das estradas, com seu maracatu de corpo. Acho que ele foi encantar outros corações em outros lugares, penso eu...
O que sei, com certeza, é que até hoje, quando escuto um barulho diferente na minha rua, que já não é a mesma de outrora, seja de vento leve na folhagem, passarinho querendo fazer ninho ou até mesmo de alegria inventada, levanto bem de mansinho e espreito na minha janela para ver o cantador de palavras bonitas passar.


SÓ PARA LEMBRAR

Segundo o dicionário, poético não se refere apenas a poemas (texto em verso), mas a tudo aquilo que “produz inspiração, que tem qualidade, atmosfera, encanto, ou características da poesia.” O texto que acabamos de ler está escrito em prosa (jeito natural de escrever), é um conto, e é poético, pois traz encanto, produz inspiração.

PROPOSTAS DE ATIVIDADES

1. Se houver algum poeta na comunidade, convida-lo para fazer uma palestra, participar de uma oficina ou, simplesmente, conversar com os alunos e apresentar algumas de suas poesias.

2. Seria bem interessante se promover um recital diferente em que os alunos circulassem pela escola, entrassem nas salas de aula (acordo prévio com os professores), recitando poemas deles mesmos ou de outros autores, inclusive letras de música.


OFICINA 5 – UM OUTRO SARAU

• Agora, o objetivo é trabalhar com poetas brasileiros consagrados;
• É legal fazer cópias para todos, fazer um ensaio geral de declamação e depois cada um se apresentar na frente, declamando com vontade, impostação, gestos.

OBS.: Se a turma for muito grande, a apresentação pode ser definida através de sorteiro ou de voluntários.

• Podemos fazer um novo sarau, agora na quadra, no recreio, de uma forma inesperada e envolvente.

BUSCANDO SENTIDO

Já não podemos pensar o ensino da escrita desconectado da leitura. Para ler um texto não basta identificar as letras, sílabas e palavras, é preciso buscar o sentido, compreender, interpretar, relacionar e reter o que for mais relevante.
Quando lemos alguma coisa, temos sempre um objetivo: buscar informação, ampliar conhecimento, meditar, entreter-nos. O objetivo da leitura é mobilizar as estratégias que o leitor vai utilizar. Sendo assim, ler um artigo de jornal é diferente de ler um romance, uma história em quadrinho ou um poema.
Geralmente, quando lemos um poema, temos como objetivo o entretenimento, a busca do encantamento com a forma original e diferente que os poetas têm de ver o mundo. Diferentemente de outros gêneros de texto, um poema pode ser lido muitas vezes, e a cada leitura despertar uma nova emoção, novas ideias, novas sensações
Por outro lado, ler poemas traz desafios para o leitor. É preciso buscar significados, sentidos, descobrir como o poeta “brincou com as palavras”. Nossos alunos, na maioria das vezes, não têm familiaridade com a leitura de poemas. Assim, é tarefa nossa ajudá-los a vencer esse desafio. 

ALGUMAS DICAS PARA A LEITURA DE POEMAS

1. Ler em voz alta, pois para apreciarmos devidamente um poema é preciso escutá-lo.

2. Poemas têm sensações, impressões, sentimentos. Vamos descobrir o que o poema lido desperta em cada um de nós. O poema nos faz pensar em coisas alegres ou tristes?

3. Poetas têm um olhar único e original sobre um acontecimento, seus sentimentos, as belezas do lugar onde vive, mas muitas vezes nos identificamos com aquilo que está no poema.

4. Para encontrar o ritmo certo para a declamação, é preciso compreender os efeitos de sonoridade que o poeta usou.

5. Uma dica bem legal é ouvirmos, juntos, CDs com poemas declamados por atores famosos.


OFICINA 6 – RIMANDO

DUAS DÚZIAS DE COISINHAS À TOA QUE DEIXAM A GENTE FELIZ – Otavio Roth

Passarinho na janela, pijama de flanela, brigadeiro na panela.
Gato andando no telhado, cheirinho de mato molhado, disco antigo sem chiado.
Pão quentinho de manhã, dropes de hortelã, grito do Tarzan.
Tirar a sorte no osso, jogar pedrinha no poço, um cachecol no pescoço.
Papagaio que conversa, pisar em tapete persa, eu te amo e vice-versa.
Vaga-lume aceso na mão, dias quentes de verão, descer pelo corrimão.
Almoço de domingo, revoada de flamingo, herói que fuma cachimbo.
Anãozinho de jardim, lacinho de cetim, terminar o livro assim.

DICAS E ATIVIDADES

1. Podemos recorrer à memória e ao dicionário para encontrar palavras que normalmente não usamos, mas que podem deixar nosso texto mais bonito.

2. Vamos produzir um texto em verso sobre umas “coisinhas “a toa”, sobre alguém que observamos diariamente ou com quem tivemos um único contato visual, mas que nos impressionou. Vamos chamar a atividade de “quando a rotina vira poesia”. Podemos escrever, então, sobre o padeiro do bairro, o motorista do ônibus, o porteiro da escola, o moço da praça, a garota da locadora e muito mais.

3. outra proposta de produção (também em verso) é “umas coisinhas à toa que me deixam feliz.”

4. Ainda uma outra sugestão é fazer uma paródia do texto estudado, colocando suas próprias coisinhas, rimando.

OBS.: Não fazer rima com aumentativos e diminutivos.

5. Uma outra proposta é de uma dinâmica bem legal: um aluno diz uma palavra e outros 2 ou 3 colegas dizem outra que rime com a primeira. Todas as palavras vão sendo anotadas no quadro. Quanto mais raras forem as palavras, melhor. Terminada essa etapa, cada aluno (também pode ser em dupla ou trio) produz um texto utilizando a maior parte das palavras anotadas.


OFICINA 7 – SONS E QUADRAS

• Identificar rima, aliteração e repetição de versos;
• Criar quadras.

Para encantar os leitores, transmitir ideias e emoções de forma original, os poetas utilizam recursos poéticos, como: rimas, aliterações e repetições.

QUADRAS

São estrofes compostas por 4 versos. É uma forma antiga e popular de poesia usada pelo povo português desde a idade média, e ainda hoje, no Brasil.
Você lembra de alguma quadra ou “versinhos”, como chama o povo? Vamos compartilhar. Muitos desses “versinhos” viraram músicas, “cantiga de roda”.

O cravo brigou com a rosa,
Debaixo de uma sacada.
O cravo saiu ferido,
E a rosa despedaçada.


Não sei se vá ou se fique
Não sei se fique ou se vá
Ficando aqui não vou lá
E ainda perco o meu pique. 
(Silvio Romero)


Ô seu moço inteligente
Faça o favor de dizer
Em cima daquele morro
Quanto capim pode ter? 
(Ricardo Azevedo)

Os versos podem rimar de diferentes formas. Na primeira quadra, recolhida por Silvio Romero, o primeiro verso rima com o quarto (fique / pique) e o segundo verso rima com o terceiro (vá e lá). Já Ricardo Azevedo rima o segundo verso com o quarto (dizer / ter).

Lá no fundo do quintal
Tem um tacho de melado
Quem não sabe cantar verso
É melhor ficar ____________
(Ricardo Azevedo)

Muitas vezes os alunos ficam tão preocupados em encontrar palavras que rimam que até se esquecem de verificar se o verso construído transmite ao leitor uma ideia, um sentimento ou uma sensação. Quando trabalhamos com rima é muito importante que se perceba que não se pode abrir mão do sentido.
Entre os grandes poetas que produziram quadras, está o português Fernando Pessoa, que escreveu mais de quatrocentas. “A quadra é um vaso de flores que o povo pôe à janela da sua alma”, escreveu ele.

QUADRAS AO GOSTO POPULAR – Fernando Pessoa

Eu tenho um colar de pérolas
Enfiado para te dar:
As pérolas são os meus beijos,
O fio é o meu penar.


A caixa que não tem tampa
Fica sempre destapada.
Dá-me um sorriso dos teus
Porque não quero mais nada.


No baile em que dançam todos
Alguém fica sem dançar.
Melhor é não ir ao baile
Do que estar lá sem lá estar.


Vale a pena ser discreto?
Não sei bem se vale a pena.
O melhor é estar quieto
E ter a cara serena.


Não digas mal de ninguém,
Que é de ti que dizes mal.
Quando dizes mal de alguém
Tudo no mundo é igual.


DICAS E ATIVDADES

1. Quais as palavras que rimam e qual o esquema de rima usado por Fernando Pessoa?

2. Observar que o poeta não usa apenas verbos no infinitivo (cantar, dançar, chorar) para fazer as rimas. Ele também não usa palavras no aumentativo e no diminutivo (ão/ inho). Assim, ficaria muito fácil e pouco criativo. Ele rima com palavras variadas: verbos, substantivos e adjetivos.

3. Dividir a turma em duplas ou trios e pedir que produzam algumas quadras criativas.

ALITERAÇÃO

Mostrar aos alunos que existem outras formas de brincar com as palavras. Uma bem interessante é a ALITERAÇÃO, usada, por exemplo, pelo poeta brasileiro Cruz e Souza.
A aliteração consiste na repetição de fonemas nas palavras que compõem os versos.

VIOLÕES QUE CHORAM – Cruz e Souza

Vozes veladas, veludosas vozes,
Volúpias dos violões, vozes veladas,
Vagam nos velhos vórtices velozes
Dos ventos, vivas, vãs, vulcanizadas.


OFICINA 8 – POETA DO POVO

• Escrever acrósticos;
• Trabalhar com poema popular.

Além dos poetas clássicos e modernos, existem os “poetas popuplares”, que compõem versos que encantam e emocionam o leitor, como é o caso do cordel.

Um dos nossos maiores poetas populares se chama PATATIVA DO ASSARÉ. Além de folhetos de cordel, esse poeta tem inúmeros poemas publicados em livros, revistas e jornais.

POEMAS PENDURADOS NO VARAL

CORDEL é um estilo de poema popular da tradição nordestina. Cantado ou declamado, ele está presente nos festejos da comunidade sertaneja: feiras, festas religiosas, comícios. É uma poesia narrativa, ou seja, conta uma história. Geralmente, o tema é o cotidiano, a denúncia dos sofrimentos do povo, a exaltação de heróis, as lendas nativas. Chama-se cordel porque nos pontos de venda, os livretos costumam ser pendurados em um varal de fios de algodão – os cordéis.

EMIGRAÇÃO E AS CONSEQUÊNCIAS - Patativa do Assaré

Neste estilo popular
Nos meus singelos versinhos,
O leitor vai encontrar
Em vez de rosas espinhos
Na minha penosa lida
Conheço do mar da vida
As temerosas tormentas
Eu sou o poeta da roça
Tenho mão calosa e grossa
Do cabo das ferramentas

Por força da natureza
Sou poeta nordestino
Porém só conto a pobreza
Do meu mundo pequenino
Eu não sei contar as glórias
Nem também conto as vitórias
Do herói com seu brasão
Nem o mar com suas águas
Só sei contar minhas mágoas
E as mágoas do meu irmão

..............................................................................
Meu bom Jesus Nazareno
Pela vossa majestade
Fazei que cada pequeno
Que vaga pela cidade
Tenha boa proteção
Tenha em vez de uma prisão
Aquele medonho inferno
Que revolta e desconsola
Bom conforto e boa escola
Um lápis e o caderno.


O poema de Patativa do Assaré conta a história da seca no Nordeste, do sofrimento do povo, das injustiças sociais, da migração para o sul. Fala da luta, do trabalho e do perigo da entrada dos filhos na marginalidade.

ESTILO – Maneira de se expressar de um escritor (estilo individual) ou de um grupo de escritores de determinada época (estilo de época).

TEMA – Principal assunto ou mensagem de um poema (ideia principal).

Qual o tema do texto de Patativa de Assaré?

A POESIA traduz a forma como o poeta vê o mundo, e no mundo também existem coisas tristes. Logo, belos versos também podem falar de sofrimento e dificuldade. Observe com bastante atenção os quatro primeiros versos do texto que estamos estudando.

Neste estilo popular
Nos meus singelos versinhos,
O leitor vai encontrar
Em vez de rosas espinhos

Também é interessante observar que nesse trecho, o autor anuncia o estilo de poesia que ele faz, o popular. Ele avisa aos seus leitores que não encontrarão apenas “rosas” (coisas belas), mas também “espinhos” (tristeza e problemas).


COMO SE FOSSE UM TAMBOR

Muitos poetas querem que seus versos tenham ritmo e cadência, como se houvesse um tambor batendo a intervalos regulares. Patativa conseguiu esse efeito em seu poema. Chame a atenção dos alunos para o ritmo dos versos, mostrando como esse efeito encanta o leitor.

ACRÓSTICO

É um recurso poético em que as letras iniciais dos versos formam uma palavra ou frase na vertical. Muitas vezes, os acrósticos são criados a partir de um nome próprio. Os poetas populares usam bastante o acróstico com seu próprio nome para identificar seus textos. Assim, indicam que os cordéis expostos em espaços públicos, como feiras, são deles.

Posso dizer que cantei
Aquilo que observei
Tenho certeza que dei
Aprovada a relação
Tudo é tristeza e amargura
Indigência e desventura
Veja, leitor, quanto é dura
A seca no meu sertão.


OFICINA 9 – AS METÁFORAS

• Identificar e usar comparações, imagens e metáforas.

Ao ver o mundo de um modo poético, os poetas fazem comparações e criam metáforas.

O LEÃO – Vinícius de Moraes

Leão! Leão! Leão!
Rugindo como o trovão
Deu um pulo, e era uma vez
Um cabritinho montês.

Leão! Leão! Leão!
És o rei da criação!

Tua goela é uma fornalha
Teu salto, uma labareda
Tua garra, uma navalha
Cortando a presa na queda.

No verso “rugindo como o trovão”, o poeta estabelece uma relação de significado entre força, poder e volume de som.

Quando usamos expressões como “é pequeno como...”, “sua garra é afiada como...”, estamos fazendo COMPARAÇÕES.

Quando dizemos que alguém tem “olhos de jabuticaba”, estamos nos referindo aos olhos muito pretos dessa pessoa. Quando dizemos que “choveu canivete”, estamos querendo dizer que choveu muito forte. Nesses casos, estamos usando METÁFORAS.

Metáfora, portanto, é um tipo especial de comparação em que não usamos o comparativo como ou qualquer outro.

Você é como uma linda estrela. – comparação
Você é uma linda estrela. – metáfora

Quando usamos metáforas, falamos de um objeto ou de uma qualidade com palavras que se referem a outros objetos ou qualidades, mas que podem ser tomadas emprestadas para fazer comparação. Assim, quando digo que alguém tem uma saúde de ferro, estou tomando emprestada a força do ferro para dizer que essa pessoa tem uma saúde muito forte.


O céu bordado d’estrelas,
A terra de aroma cheia,
As ondas beijando a areia
E a lua beijando o mar!
(Casimiro de Abreu)

1. Como seria o “céu bordado de estrelas”?

2. Qual o sentido dos versos “as ondas beijando a areia” e “a lua beijando o mar”?

O uso de metáforas sempre deixa o verso mais interessante. Se o poeta dissesse simplesmente que “havia muitas estrelas no céu” e “a lua refletia luz no mar”, os versos não seriam tão poéticos.

PROPOSTAS DE ATIVIDADES

1. Paródia do texto “CANTADA”, de Ferreira Gullar, utilizando elementos de nossa cidade e coisas de que gostamos e que admiramos.

2. Fazer uma lista de características (qualidades e defeitos) do lugar onde vivemos. Vamos pensar no rio, no no mar, no Parque da Preguiça,  numa praça, em uma árvore, enfim, em algum lugar da cidade do qual você goste muito. Agora, vamos anotar as sensações que esse lugar desperta, as cores que percebem, os sons e os cheiros que existem lá.

3. Vamos fazer comparações:

a) O rio é ________________ como _______________
b) O rio tem cheiro de __________________________
c) A cor do rio parece __________________________
d) A minha rua tem um barulho como _____________
e) Minha cidade até parece _____________________
f) No pátio da escola tem uma árvore que parece _____


4. Agora, vamos criar metáforas:
a) O rio _________________________________
b) Minha rua ____________________________
c) O céu de minha cidade __________________
d) Minha cidade _________________________
e) A árvore da escola _____________________


OFICINA 10 – O LUGAR ONDE VIVO

• Estudar poemas sobre a terra natal de diferentes escritores;
• Resgatar sentimentos sobre o lugar onde os alunos vivem.

MILAGRE NO CORCOVADO
Ângela Leite de Castilho Souza

Todas as noites
de céu nublado
no Corcovado
faz seu milagre
o Redentor:
fica pousado
no algodão-doce
iluminado
como se fosse
de isopor.

Mas todos sabem
que bem de perto
esse Jesus
é um gigante
de mais de mil
e cem toneladas...
Suba de trem,
vá pela estrada,
quem chega lá,
ao pé do Cristo,
vira mosquito.

E olhando em volta
para a cidade
de ponta a ponta
maravilhosa
a gente sente
um arrepio:
o milagre
é o próprio Rio!

1. É interessante mostrar imagens do corcovado e perguntar de alguém da turma já esteve lá.

2. Qual o tema do poema?

3. Vamos observar as metáforas presentes no texto.



CIDADEZINHA – Mário Quintana

Cidadezinha cheia de graça...
Tão pequenina que até causa dó!
Com seus burricos a pastar na praça...
Sua igrejinha de uma torre só...

Nuvens que venham, nuvens e asas,
Não param nunca nem um segundo...
E fica a torre, sobre as velhas casas,
Fica cismando como é vasto o mundo!...

Eu que de longe venho perdido,
Sem pouso fixo (a triste sina!)
Ah, quem me dera ter lá nascido!

Lá toda a vida poder morar!
Cidadezinha... Tão pequenina
Que toda cabe num só olhar...


1. Qual é o tema do texto?

2. O poema nos faz lembrar de coisas alegres ou tristes?

3. Você consegue imaginar, “visualizar” a cidadezinha descrita por Quintana? É parecida ou muito diferente da nossa?

4. Vamos observar as comparações e as metáforas usadas nos dois textos.

5. Mário Quintana usa o recurso da rima para exprimir a simplicidade e o encanto da sua cidade. Além de usar rimas originais, ele se preocupou com o ritmo do poema. Já Ângela Leite de Castilho Souza não rima seus versos. Ela prefere outros recursos, como a comparação e a metáfora. No verso “fica pousado no algodão-doce” ela mostra sua visão do Cristo iluminado à noite, cercado pelas nuvens. Para a autora, é um milagre o gigante de muitas toneladas pousado no algodão-doce.

SÓ RELEMBRANDO...

O tema do poema que os alunos vão produzir é “O Lugar Onde Vivo”. Eles não devem repetir o tema no titulo. Devem criar um título original e sugestivo. Embora todos devam escrever sobre o mesmo tema, cada um poderá escolher um título diferente.


OFICINA 11 – UM NOVO OLHAR

• Propiciar um olhar novo e original sobre o lugar onde cada aluno vive.

A maioria dos poetas têm uma fonte em que buscam inspiração para compor seus poemas. Muitas vezes, essa fonte é o lugar onde vivem ou viveram. Manuel Bandeira, por exemplo, tem no Recife de sua infância um de seus temas preferidos. Da mesma forma, a vivência interiorana e a paisagem de Minas Gerais marcam a obra de Carlos Drummond de Andrade.

Os alunos-escritores devem se inspirar no lugar onde vivem. A fonte de inspiração não é só a cidade, mas também o bairro, a rua, as paisagens, os locais interessantes, seus moradores, a cultura e as peculiaridades. Ajude-os a buscar essa inspiração, resgatando impressões, sensações e sentimentos, de forma que encontrem um olhar pessoal e único sobre o lugar onde vivem.

O poema que será produzido não precisa falar sobre todos os aspectos da cidade, pois assim os versos podem ficar longos e desinteressantes. Por outro lado, deve revelar peculiaridades do lugar que podem encantar e conduzir o leitor ao mundo do poeta.

CONFIDÊNCIAS DO ITABIRANO
(Carlos Drummond de Andrade)

Alguns anos vivi em Itabira.
Principalmente nasci em Itabira.
Por isso sou triste, orgulhoso: de ferro.
Noventa por cento de ferro nas calçadas.
Oitenta por cento de ferro nas almas...

ALMA CABOCLA – Paulo Setúbal

E, na doçura que encerra
Esta simpleza daqui,
Viver de novo, na serra,
Entre as gentes desta terra,
A vida que eu já vivi...


TER O QUE DIZER

Buscar o que dizer num poema é muito diferente de buscar assunto para outros tipos de texto. Por exemplo, quando ensinamos nossos alunos a escrever um artigo de opinião, é preciso fazer uma pesquisa para a coleta de vários dados, mas no caso dos poemas, isso é bem diferente.

Fazer poesia não é organizar informações objetivas em forma de versos. O ofício do poeta não é descrever aquilo que vê, mas expressar sentimentos e vivências interiores. Do contrário, o poema pode perder seu encantamento e sua originalidade.

VAMOS CONVERSAR SOBRE NOSSO LUGAR...

... a cidade, o distrito, o bairro, as ruas, os espaços interessantes que impressionam de alguma forma. Bom mesmo seria fazer um passeio pela cidade.

O objetivo aqui não é coletar dados, é incentivar a observação de pequenos detalhes, perceber as impressões e as sensações causadas por essa observação:

a) O eles sentem?

b) Qual a cor predominante desse lugar?

c) Quais os ruídos do lugar onde vivem?

d) O sol, as nuvens, o calor, o frio... que sensações despertam?

e) Se você tivesse que descrever um desses lugares para pessoas que não os conhecem, como faria?

OBS.: Para escrever sobre o lugar onde vivemos, é preciso, antes de tudo, aprender a olhar esse lugar com olhos apaixonados. Tem que ser um olhar diferente daquele do dia a dia.

Veja essa estrofe de Alberto Caeiro (Fernando Pessoa):

Não basta abrir a janela
Para ver os campos e rios.
Não é bastante não ser cego
Para ver as árvores e flores.

a) O que o poeta quis dizer com esses versos?

b) Muitas vezes, olhamos as coisas com pressa ou de maneira superficial, ou ainda, com olhar de rotina. Assim, deixamos de ver todos os obstáculos, de observar coisas que estão ocultas à primeira vista.


OFICINA 12 – VIRANDO POETA

• Escrever um poema com o tema da Olimpíada: “O Lugar Onde Vivo.”

UM EXEMPLO

O MUNDO DENTRO DA REPRESA DO FRADE

A represa é presa
Presa com água
E feita de pedra, pesada
Com mil toneladas de água.

Lá embaixo os peixes:
Cascudo, cará, carapeba
Brincam de esconde-esconde
Se entocando nas pedras.

Desce a correnteza, correndo
Descansa na represa
E cai pelo caidor
Fazendo cócegas nas pedras.

A água de baixo
Temendo a água de cima
Faz onda para escapar
Fugindo para outro lugar

Sobre a estreita ponte
O danado do vento
Vem assustar a gente
Com seu sopro violento
As árvores nas beiras
Se seguram na areia
Temerosas
Não querem ser levadas
Pela força da correnteza

Da minha janela vejo esse
Mundo:
Um mundo dentro do outro
Preso nas muralhas da represa

(Texto de Carla Marinho Xavier, aluna da professora Maria Luiza Alves da Silva – vencedoras da edição 2006 do Programa Escrevendo o Futuro.)

Agora, vamos a produção do poema que irá participar da Segunda Olimpíadas de Língua Portuguesa. Cada aluno deve exprimir no texto a visão pessoal e original do lugar onde vive.

1) Para mostrar impressões e sentimentos, devem usar as palavras de forma diferente. Os recursos poéticos estudados nas oficinas devem ser utilizados..

2) O tema proposto é “O Lugar Onde Vivo”. Pensando nesse tema, o aluno fará seu primeiro rascunho, deixando a emoção fluir e soltando a imaginação.

3) Para compor poemas, mesmo os poetas consagrados ficam muito tempo melhorando seus versos, arrumando, organizando, mexendo nas palavras. É preciso tempo, não só para fazer correções, mas para aprimorar o texto. É assim que os poetas deixam de lado o lugar-comum, rompem com os clichês e conseguem encantar o leitor com um texto original e criativo.

4) Agora vamos aprimorar os poemas que foram escritos:

a) O título do poema é criativo?

b) O texto tratou do tema, mostrando características e peculiaridades do lugar onde vivem?

c) O poema usa alguns dos recursos estudados nas oficinas: rima, quadra, aliteração, comparação, metáfora?

d) O poema tem um ritmo cadenciado?


É interessante fazer uma culminância desse projeto com um novo sarau, dessa vez com os textos dos próprios alunos. Podemos também montar uma coletânea com os melhores textos. Podemos premiar os primeiros colocados, adaptando, assim, a proposta da Olimpíada de Língua Portuguesa.
Embora não participemos (pela nossa condição de escola particular) da Olimpíada de Língua Portuguesa, podemos trabalhar sua proposta com nossos alunos. Certamente será muito construtivo.